domingo, 2 de agosto de 2026

Alegria

A alegria mora 
No inverno sem tino,
Mais para o norte 
Menos pro sul.
Longe do Ártico 
Vizinho do Equador 

Onde Calor rima com amor,
Suor se esconde do azul 
Desejo é escravo do objeto 
Carinho é mania de ser tudo. 


sábado, 1 de agosto de 2026

Sombra

A sombra do infinito
Me lembra tanta 
E muita coisa que até 
Fica fácil esquecer.

Lágrimas não falam,
Suspiros não suplicam,
Carinhos se perderam
Em meras discussões.

O que o vento 
Não consegue levar,
As dores teimam valer
 
Coisas que não se pedem,
Trajetórias que ninguém
Ousa seque entender.  



on the road

Seguindo sempre 
E quase sem rumo.
Roda no asfalto,
Balança que não
Reclama do prumo.

De pulo em pulo,
Salto aqui outro acolá,
Encontramos enfim
O que buscamos,
Sem medo e muito mar. 

Cada canto 
Uma canção,
Um grande encontro,
Outra nova emoção.

A chuva que turva 
O sol que incendeia,
O trânsito que irrita
A reta que instiga 
O doce esperado final 

E realizando desejos
De cidade em cidade,
Construimos sonhos
Concretamos amizades.






sábado, 18 de julho de 2026

Melancolia

A Melancolia do dever cumprido preenche muitas e todas as vidas e histórias experimentadas no correr de um tempo que não se fez sentir, mas deixou marcas e memórias de todos as cores e tons. Não prevejo a velhice, só a certeza de algumas dores nas juntas, um esquecimento aqui e acolá, pequenas falhas no que costumava ser habitual. Uma energia meio doida insiste em se imiscuir em meu juízo. Entender que a verdade de tudo é uma só: nenhuma!!! E só há uma maneira de explicar o sentido da vida: todas!!!

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Madrugada

A madrugada é meu lugar. A soletude do amanhecer me enternece e encanta. Faz ruído sereno em meu silêncio. Me revela um mundo sombrio,  de múltiplas cores e pleno de luz. É a hora do acordar, descobrir tudo de novo, sem sofrer pelo ontem e sem sonhar com o amanhã. 

sábado, 20 de junho de 2026

Entendimento

A vida nos entende tão pouco quanto consideramos ela. A brisa refresca a pele. Os vôos ensinam mais que mil palavras. Copos insistem na inquietude. Cheios e vazios se misturam numa sincera embriaguez. Água é tudo. Luas e planetas se alinham. E os impedimentos insistem em obstruir belos gols. Quando o sono nos vencer e os sonhos insistirem em nos convencer que a verdade habita um sincero e secreto desejo, o segredo é acordar na mais cordada fraternidade. 

terça-feira, 26 de maio de 2026

Ilhas do Mundo (Publicado na Antologia Sobrames 2020)

 Ilhas do Mundo


Mundo 

Cheio de ilhas.


Ilhas dentro de ilhas,

Por cima, em baixo. 

Ilhas que se misturam

Sob úmidos lençóis. 


Ilhas que se sonham

Continentes

Esquecendo que o

Mar as fez ilhas. 


Ilhas antes e depois, 

Sem tempo para 

sonhar mais que um 

Instante imenso de paz. 


Ilhas que se jogaram  

Ao infinito e de lá

Retornarão formosas, 

Mas ainda ilhas e mortais.