Vou te Contar...
Um texto não lido é como um amor não correspondido. Neste espaço quero compartilhar um pouco de meus escritos, dar e pedir sugestões de leituras,filmes, músicas e ...
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
Natimorto
Após o anúncio do nascimento do futuro primeiro intelectual de direita as ruas se encheram de vivas, hinos, dancinhas e muitos, muitos tiros para o ar. Mas a festa pouco durou, pois a criança sobreviveu pouco tempo. A autópsia revelou que seu coração tendia para a esquerda e seu imaturo cérebro não aguentou a realidade dos fatos.
Pai 2026
Freud pouco exagerou ao pôr a figura do pai a frente de variadas idiossincrasias humanas.
Perder o pai é quase como nascer de novo. O mundo parece que fica diferente e a gente ganha um protagonismo que não temos a certeza de saber exercer direito. Mas a vida é feita para todos e o caminho não é direto nem torto, apenas único.
Quando ele morreu fui escalado de filho a pai. A responsabilidade não pesou sobre os ombros, apenas me senti diferente, em outro nível, nem melhor nem pior. Perda sentida e singular, que não deixou dor, mas uma profunda saudade com o recheio do amor.
A paternidade não pode, nem deve exigir, mas ser exercida com leveza, simplicidade, um monte de carinho, um pouco de paciência e muita satisfação e orgulho pelo que ajudou a construir.
Digo ajudou, porque penso ser quase uma obrigação deixar grande dose de autonomia aos filhos que pomos no mundo. Um pai dito perfeito não dá espaço para a expansão plena da nova personalidade que se desenvolve desde o nascimento até o momento de deixar o ninho.
O segredo é não querer, nem procurar, a gratidão dos filhos. Essa deve se mostrar de forma subliminar na maneira natural como se organiza o desmame que nunca é um adeus, mas uma contínua e insistente espera pelo próximo e imperdível abraço.
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
Manoel
...
Vagar o mundo
sem juízo
e sem rumo,
sem roupa lavada,
sem prumo,
claudicando.
Cada passo
um desafio,
ausência de sonho,
um desvario.
Calo a dor
que me carrega,
a luz do sol
que me cega,
o frio da noite
que me renega.
Ser só
é meu destino.
Meu suor,
único carinho.
Não olho pros lados.
Conheço todos
e nenhum caminho.
domingo, 2 de agosto de 2026
Alegria
A alegria mora
No inverno sem tino,
Mais para o norte
Menos pro sul.
Longe do Ártico
Vizinho do Equador
Onde Calor rima com amor,
O suor se esconde do azul
O desejo é escravo do objeto.
Carinho é o Eu colado a Tu.
sábado, 1 de agosto de 2026
Sombra
A sombra do infinito
Me lembra tanta
E muita coisa que até
Fica fácil esquecer.
Lágrimas não falam,
Suspiros não suplicam,
Carinhos se perderam
Em meras discussões.
O que o vento
Não consegue levar,
As dores teimam valer
Coisas que não se pedem,
Trajetórias que ninguém
Ousa seque entender.
on the road
Seguindo sempre
E quase sem rumo.
Roda no asfalto,
Balança que não
Reclama do prumo.
De pulo em pulo,
Salto aqui outro acolá,
Encontramos enfim
O que buscamos,
Sem medo e muito mar.
Cada canto
Uma canção,
Um grande encontro,
Outra nova emoção.
A chuva que turva
O sol que incendeia,
O trânsito que irrita
A reta que instiga
O doce esperado final
E realizando desejos
De cidade em cidade,
Construimos sonhos
Concretamos amizades.
sábado, 18 de julho de 2026
Melancolia
A Melancolia do dever cumprido preenche muitas e todas as vidas e histórias experimentadas no correr de um tempo que não se fez sentir, mas deixou marcas e memórias de todos as cores e tons. Não prevejo a velhice, só a certeza de algumas dores nas juntas, um esquecimento aqui e acolá, pequenas falhas no que costumava ser habitual. Uma energia meio doida insiste em se imiscuir em meu juízo. Entender que a verdade de tudo é uma só: nenhuma!!! E só há uma maneira de explicar o sentido da vida: todas!!!
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