quarta-feira, 15 de abril de 2020

Sem Perdão

Não acredito na culpa, no pecado e consequentemente no perdão. Penso que somos construídos sobre o alicerce de alegrias e mágoas que vão se acumulando na nossa memória. Isto explica a relatividade das nossas reações ao discurso do outro. O que para um é uma grande "besteira", para um outro, dentro de um determinado contexto, e sob certas circunstâncias, pode ser considerado uma grave agressão. Quando se fala olho no olho, não são só as palavras que são levadas em consideração na análise do que é dito. Todo gesto do rosto, das mãos e todo corpo, assim como o tom e altura da voz, são captados por quem ouve e interfere no acaba por ser entendido.  Quando a palavra se apresenta nua e crua, fica mais difícil se analisar a real intenção de quem a escreve. Isso faz da escrita uma arma muito difícil de se usar, a menos que não nos importemos com os estragos que elas possam causar. No mundo inundado pela informação, devemos ter muito cuidado em espalhar palavras sem a devida e cuidadosa reflexão. Quase sempre é melhor calar, mesmo que corramos o risco de sermos taxados de isolados, desengajados e desinformados. 

terça-feira, 14 de abril de 2020

Festa no Interior

Assisto a água correr ligeira no céu da minha sede. Segue sem rumo certo, ao sabor do guia vento. Nem os meteorologistas saberão onde ela vai cair. Certo não será uma questão de simples escolha, água não pensa e nem quer, mas vai ver ela tem ouvido e se entregará humilde em resposta a prece mais sincera, mais necessitada, mas carente do Divino, pois do mundo não espera quase nada!!!

domingo, 12 de abril de 2020

Távola Redonda

Jair está isolado, digo sozinho com seu séquito de dogmáticos, contra o temível inimigo da esquerda comunista? O medo sempre foi instrumento usado como dominação e controle social das massas, repressão e eliminação do opositor. O medo não é monopólio de nenhum posicionamento político. Todos os ditadores se utilizaram dessa eficiente arma contra o pensamento livre e crítico.  Considerar o capitão expulso do Exercito um ditador seria extrapolar qualquer reflexão minimamente racional. Ele não impõe medo, ele tem medo. Ele é mais um prisioneiro de sua ignorância e infantilidade emocional e cognitiva que um candidato a tirano de um grande e pobre país. Mas voltemos ao medo. Temer é não saber para onde seguir. Estar perdido numa floresta onde um bicho feroz "pode" estar escondido atrás de cada árvore. E o que mais teme nosso "descuidado" presidente? Perder a admiração de seus iguais! Jair, ao vestir a camisa de Messias e escolher doze seguidores fiéis, não ordenou que eles disseminassem seus "ensinamentos" ao resto do mundo. Sua igreja só tem doze bancos. Não precisa de mais ninguém, só não tolera a debandada de um só que seja. Se um Judas o trair ele desata a chorar, se desespera até receber o consolo dos outros onze. Mas ver um banco vazio o enche de medo e a noite ele sonha que de dentro daquele vazio brota um monstro vermelho e desumano. Um monstro que prega a igualdade e Jair não quer ser igual a ninguém. Quer ser o Mito mesmo que só de dez ou nove fiéis. Não esperemos que todos os bancos fiquem desocupados, não vão ficar. Temos que construir um novo templo, sem lugar para ídolos, nem salvadores da pátria. Sugiro o mesmo que o Rei Artur, uma Távola Redonda, onde o espaço democrático seja real, onde cada um tenha a mesma oportunidade de falar sem medo de errar.   

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Idiota Inútil

Considerar Bolsonaro um idiota inútil não retira sua faixa presidencial, mas me dá o direito de não me incomodar com suas baboseiras infantis, desde que ele se mantenha, junto com seus amiguinhos, isolados em seu cercadinho de brinquedos. Tenho pedido aos camaradas da esquerda uma postura mais crítica e gabaritada quanto a proposta econômica deste governo que insiste num liberalismo irresponsável e catastrófico na promoção de justiça social. As diferentes proposituras possíveis foram inviabilizadas pela inevitável e inesperada crise econômica decorrente do Novo Corona Vírus. Passado está crise, teremos que nos pôr diante de um cenário inusitado e imprevisível. O candidato a reeleição parece contar com 85% de quem o elegeu em 2018. Dória, ao vestir sua camisa de grife pelo lado avesso, se propõe como um nome ponderado e resoluto contra todo e qualquer inimigo social, seja humano ou viral. Mais uma vez a esquerda marca passo, perdida na indefinição do rumo a tomar. Se o Ceará sair bem dessa Pandemia, poderemos ter em Camilo (ou alguém ainda aposta em Ciro?) uma auspiciosa opção. Mas duvido muito que a direita, desta vez sem palhaços, largue em 2022, o osso que rói na atual realidade nacional.

Rei e reis.

Lembro que chorei quando vi o corpo de braços abertos, sangrando por cinco buracos feitos pela indiferença e desamor dos que ali o colocaram, sem mesmo respeitar a dor de uma mãe. Meio século depois não consigo mais chorar, mas estou longe de ser imune a dor dos que lutam pela fraternidade universal entre os humanos. Desconheço o momento histórico quando a seleção entre mais ou menos hábeis, entre forte e fracos, entre eleitos e eleitores se estabeleceu como verdade aceitável e natural. Quando, como e onde surgiu o primeiro reinado? Um judeu veio anunciar que só há um Rei de verdade e ele não habita o mesmo espaço físico de seu filhos e herdeiros. Mais que natural a reação dos incomodados, pretensos reis, donos de toda riqueza e verdade do mundo? Hoje a figura do Rei é figurativa e os reais dono de quase tudo ocupam outros castelos, mas continuam desprezando a dor dos que sofrem fome e frio. Continuam cegos à tortura moderna que fere e mata sem contato físico algum. As favelas dos morros são os Gólgotas dos nossos dias. O centurião que espetou o peito para constatar se ainda havia vida é o miliciano que distribuí sorrisos cínicos nas ruas estreitas onde sobrevivem milhares de nazarenos. Até quando assistiremos esse martírio?

Sexta Santa

A cadeia alimentar
nos permite provar
de todos os frutos.

Se hoje eu como vaca,
bem ou mal
me valho do capim.

O peixe que ontem
brincou nos mares
hoje é enfeite
em muito jardim.

Duro é ficar
olhando o corpo,
como se fora assado
e não fosse assim.

Não choremos
o vírus derramado,
lembremos entretanto
que tudo tem um fim.

Endêmico x Epidêmico

Tenho visto muitos comentários sobre o número de mortes anuais decorrentes de várias entidades nosológicas e da violência que são esquecidos ou não ocupam tanto a mídia como o Novo Corona. A primeira impressão que me vem é que os autores desses comentários não assistem televisão ou leem jornais. Como explicar a enormidade de programas policiais na nossa mídia e os desesperados apelos por uma vaga em UTI diariamente nos sendo apresentados nos telejornais? Todas os dados são passíveis de interpretação, e nenhum deixa de evidenciar algumas verdades e esconder outras. A diferença entre endêmico e epidêmico se impõe como fator decisivo na interpretação dos dados. O que é endêmico não pode ser minimizado e é combatido em quase silêncio no dia a dia das delegacias e dos hospitais. Mas está muito longe de ser esquecido, principalmente para quem estuda o problema e busca suas soluções. São as epidemias que naturalmente chamam a atenção, pois elas fogem à nossa já triste e cotidiana realidade. As campanhas de vacinas contra o H1N1 ficam sempre aquém dos objetivos dos governos, mas no momento estão faltando pela procura desenfreada pelo nova conjuntura sanitária. As mortes pelo H1N1 continuam acontecendo ano após ano, apesar da vacina e do Tamiflu (O Brasil teve 1109 óbitos em 2019 decorrentes de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) por influenza, segundo o último relatório do Ministério da Saúde), e esse número já foi suplantado pelo Novo Corona em menos de um mês. Espero, mas sem convicção real, que todos passemos a adotar medidas e comportamentos mais responsáveis e necessários para combater futuras ameaças a nossa sobrevivência, sejam virais ou não. E antes de me retirar peço um pouco de reflexão nas análise de todo e qualquer informação. Na dúvida, não compartilhe.