Um texto não lido é como um amor não correspondido. Neste espaço quero compartilhar um pouco de meus escritos, dar e pedir sugestões de leituras,filmes, músicas e ...
sexta-feira, 9 de outubro de 2020
Hora Sublime
Se nesta hora sublime, porque única e definitiva,
estou só, devo exclusivamente a minha conduta de vida. Muitos a chamaram de
egoísmo, eu sempre a interpretei e expliquei, tanto aos outros como a mim
mesmo, como ideal de independência. Todo conceito, entretanto se torna inútil e
perde sentido quando nos vemos sós na hora dita final. Não me vem nenhum
remorso ou sentimento de ingratidão. Tudo terminou como deveria, determinado
pelo que pôde ser feito, por alguém que fez o que quis. Por que procurar
culpados onde só existe a inocência do desejo e do puro instinto? Sempre
entendi e repeti a mim mesmo nos momentos de solidão, numericamente superiores
aos de congregação, que ninguém nasce para ser feliz, mas estamos sempre
procurando a paz que nos permita morrer tranquilos. Foi o que perseguiu minha
mente-alma inquieta. Entretanto nunca venci o pessimismo que sempre se
disfarçou de prevenção em cada instante que antecedeu meus atos. Isso fez de
mim um estraga prazeres, um chato estressado e rabugento. A verdade é que colhi
o que plantei. E se o pouco de vida que tenho pulsa no meio deste quarto vazio,
visitado somente pelas enfermeiras que me injetam paliativos, é porque eu
realmente mereci.
Barco Moreno
Sempre será assim:
Pensar no
que tá perto,
Navegar num
barco moreno
E maldito,
Mas de
grande satisfação.
Certeza, só
na saudade
Ou no querer
queimar outro:
Papoca,
lagarta de fogo!
Apaga com a
cerveja amarela,
Aquarela de
sabor
Porque ninguém
é sempre
Herói de
alguém.
terça-feira, 6 de outubro de 2020
Vento
Não há como
Nem porque
Lutar contra o vento.
Abrir velas
Se deixar partir.
Um riso sem causa
Incomoda o mundo
dos pés no chão.
Inveja do voo.
Sem motivo,
e nenhuma intenção.
Um beijo roubado,
Perdido.
Como se nunca
Acontecido.
Um singelo desejo
Para sempre
Sonhado.
Inquietude
...
A palavra não pede
para ser dita.
Ela é o pensamento
inquieto que,
mais que se expressar,
acredita.
Sangue das Veias
...
Trago nas veias
um sangue que
não me pertence.
Apesar de real
ele nada enobrece
e na hora do
inútil suspiro
estancará num
coágulo fatal.
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