sábado, 19 de dezembro de 2020

Tempo Deus

 

Serenamente

Adormeço nos braços

Do deus tempo.

Senhor que governa

Indiferente,

Alheio ao bem e ao mal.

Professor que ensina:

Lutar pelo incerto

É quase obrigação;

Esperar

Pelo impossível

É viver a um passo da loucura.

21.12.11

Fb

 

Sim, Não e Talvez

 

Três mundos há

Que pouco se confundem,

Mas se complementam

E até mesmo se revezam.

 

O mundo do sim:

Confortável,

Mas aborrecido.

 

O mundo do não:

Frustrante,

Mas honesto.

 

E o mundo do talvez:

Melhor nem falar

Desse infame.

 

30.11.11

 

Vacinas

Há alguns e não poucos anos, percorrendo os corredores do Hospital São José de Doenças Infecciosas, fui amargamente apresentado a uma enfermaria ampla, com vários leitos, dividida por crianças queimando de febre e pintadas por bolinhas vermelhas. Sim, o Sarampo era mal para além de comum, não um caso inusitado vindo de outras paragens onde o sistema vacinal não é tão bom como o brasileiro. O General Ministro da Saúde reconhece o que muitos patricios negam ou querem fechar os olhos para não ver, fundamentados tão somente na cega fé em seu mito salvador: mesmo sendo um país de segunda ordem, temos um sistema vacinal de primeiro mundo. As vacinas mudaram e mudam a realidade de inúmeros males que afligem a humanidade desde passadas eras. Meus pais me contavam que tiveram Varíola na infância, doença que só conheci nos livros. Os agentes de indução ativa de imunidade recontam a história das pneumonias e meningites de minha rotina médica. A Pediatria tem no calendário vacinal um dos pilares indissociaveis da boa prática diária. Negar o valor das vacinas é retroceder em muito nas conquistas que a ciência médica promoveu pela saúde do ente vivo. Mas tudo bem! Quem não quiser tomar a vacina que vá para nem sei onde. Para a China não dá, já na terra vermelha dos olhos apertados, a vacina é obrigação social. Difícil encontrar um lugar que não sonhe com uma devida imunização. Mas não percam as esperanças. Enterrem que nem Avestruz a cabeça no buraco da ignorância e rezem para tudo dar certo. 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Solidão

Quais os riscos a que estamos sujeitos pelo continuo isolamento? Cruzoe enfrentou todos e uns mais, e sobreviveu para contar a história, pela qual Defoe ainda faturou uns trocados. Ouço muitos falarem que estão ficando loucos, estressados e até desesperados. Quer saber: não acredito!!! É certo que precisamos dos amigos e do trabalho para nos realizar. Mas amigos ligam para os outros, conversam por vídeo, trocam sugestões e informações e compartilham músicas favoritas. O contato pode ficar até bem maior que o de antes. O que muda é a seleção da companhia, ou alguém descobriu a fórmula de conversar e se imiscuir com os facistas que saíram do armário e se exibem orgulhosos de seus preconceitos e ideias reacionárias? 

É só isso ai!

A percepção de meu parco entendimento é de que estou imerso mais num mundo de possibilidades do que de vera realidade. Ao assistir o desenibido discurso reacionário de mentes consideravelmente brilhantes me invade a incerteza em minhas tão próprias ideias de mundo, e um trisco de dúvida quer me se insinuar na fé que teimo em ter no alheio pensar.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Faminto

Quando nasci, o carneiro reinava nos céus do sul que encobria a casa de meus pais. Os cincos longos anos, sem o choro inquieto de menino novo, se encheram de luz com a chegada do mim que sou eu. Já nasci faminto. Um chá doce de erva doce me arrefeceu a fome de peito, e de amor, e de afeto, e de constante atenção que alimento até hoje. Sou um faminto!!! 
Vieram depois anos de parcimonioso fartura, quando o necessário bastava e ninguém sentia falta do que não tinha. O quintal repleto de frutas, a feira na sexta do bairro, o homem do fígado, o frango assado de todo sagrado domingo, os amigos da rua, os primos, as aventuras imaginárias de toda e qualquer meninice. Com a adolescência vieram os amores. Ah os amores!!!! Impossível enumera-los. De concreto quase nenhuma. Coisas de menino que nunca quis crescer. 

Começo

 

Sei que vou

Morrer

Mais tarde do que mereço.

 

Chorar a solidão

De dentro

Do berço.

 

Carente

De sorriso

Rezando

Um terço.

 

Porque

Tudo tem o fim,

De um tão incerto

Começo.

 

17.12.11