quinta-feira, 30 de abril de 2020

Esquerda Propositiva.

Ser de esquerda não é sinônimo de comunista, vai muito além de ser petista ou lulista, e passa longe de lutar contra a moral e os bons costumes.  

Ser de esquerda é:

Entender os problemas do Capitalismo e tentar encontrar caminhos mais rápidos e seguros em busca de uma menor desigualdade social. O Ideal Comunista oferece embasamento teórico para muitas discussões, mas não é um objetivo real.   

Reconhecer que o Petismo e o Lulismo foram apenas um degrau na escada da ascensão de um governo realmente dirigido aos mais pobres. Os avanços não podem ser esquecidos, e os muitos erros devem ser corrigidos, mas ficou muito aquém do esperado, particularmente na quase ausência de combate ao Capitalismo Financeiro. 

Discutir os temas morais e comportamentais da sociedade a luz da estatística, da ciência e do respeito às individualidades. Os direitos humanos precisam ser preservados e vistos sob a ótica da nossa contemporaneidade. 

Ass: Esquerda Propositiva do Brasil. 





quarta-feira, 29 de abril de 2020

Sinceridade Messiânica

A sinceridade é sem dúvida a maior qualidade do atual ocupante do Alvorada. Já ouvi alguém chamá-lo de "sincerão", e como negar este adjetivo? É notório que muitos de seus asseclas o adoram exatamente por isso mesmo, e quem pode dizer que estão errados?  Bolsonaro é adorado por ser e dizer o que nenhum politico é ou diz. Ele é deselegante, não mede as palavras, não esconde o que realmente pensa. Jamais se daria bem numa carreira diplomática, e é isso que faz vibrar as cabeças de seus seguidores. Ele é honesto ao dizer que quem manda é ele, que usou verba para antropofagicamente "comer gente", e tantas verdades tão difusamente propaladas que seria inútil enumerar. Trump, lá pelas terras temperadas do norte, faz o mesmo. Será que estamos vivenciando o início da era da sinceridade? Torço "sinceramente" para que assim seja. Seria muito bom e proveitoso se respondêssemos tudo na lata, sem pensar, deixando falar nosso instinto selvagem? O domínio do ID sobre o Superego, da natureza sobre a civilidade? Não tenho resposta nem como negar: o cara é sincero, diz o que pensa, demora para perceber que falou o que nenhum representante do país, e não de seus fãs, deve dizer. Mas como se prende uma língua sem papas? A alma pura não admite as amarras da hipocrisia. Quem nunca ouviu uma criança falar impropriedades contra a etiqueta social? Quem poderia ressuscitar mais de cinco mil mortos, quando o verdadeiro Messias só trouxe um Lázaro do reino do mortos? Todos somos mortais e nada podemos fazer contra esta realidade. E porque não dizemos isso ao nosso amigo que perdeu seu ente querido? Será que é por empatia, a faculdade de dividir a dor do e com o outro? Dizem que a maior característica dos psicopatas é a falta de empatia, mas vou deixar essa análise para os psicólogos e psiquiatras. O certo é que Jair sempre foi sincero, mas nem sempre foi acreditado. Ele disse, com toda a sinceridade que lhe é peculiar, que não estava preparado para presidir este país. Infelizmente os muitos que desta vez não  creram nele foram em maior número do que os que já sabiam.  

IDIOTAS

Os gregos chamavam os que se excluíam da vida pública, aqueles que só se importavam com sua própria vida privada, de IDIOTAS. Embora a palavra tenha tomado caminho diverso, no sentido de encontrar no mundo moderno a definição de quem é desprovido de inteligência, podemos sem dificuldade estabelecer a conexão entre os dois significados, quando constatamos que os antípodas do homem politico ganham contorno prático em seres, senão desprovidos, que pelo menos têm desprezo pelo conhecimento. Os mesmos idiotas da antiga Grécia que se escondiam do debate político e da discussão dialética das questões que interessam a todos , reencanaram nos homens sem capacidade analítica de procurar as partes que compõe o todo para só então lhes dar um significado sintético, quase nunca em forma de certezas, mas de possibilidades. O atual desamor pela POLÍTICA torna o cidadão idiotizado, refém de seus preconceitos, prisioneiro do discurso da negação, incapaz de construir ou pelo menos fazer uma proposição que não seja destruir o que julga seu inimigo. Negar a Política em nome da certeza de que tudo que é público é fonte inexorável de corrupção, é mergulhar no abismo do impossível, é ser se perder no calabouço resignante da "A Vida é assim mesmo", prisão de todos os IDIOTAS.  

terça-feira, 28 de abril de 2020

Fake ou Não Fake, Eis a Questão.

Eu acredito que o céu é azul, 
desde que não esteja chovendo.

Creio que a Terra é redonda,
desde que não me dê uma volta no juízo.

Chamo a luz de energia, 
desde que não me apaguem a lâmpada.

Crer é viver,
é ensinar, pelo convencimento,
que só podemos ver o que já
deveria existir antes mesmo
da gente pensar.

Deve ser fake, 
mas eu acredito.  

sábado, 25 de abril de 2020

Arrependimento.

Cedo ou tarde, bem ou mal, os capítulos têm fim. Alguns vão rir, outros se espantarão. Uns ficarão indiferentes, dirão que não sabiam, e nunca tiveram ídolos, mas o que falar dos que se arrependerão?  O arrependimento é uma forma de pedir perdão. Sem ele a súplica fica sem sentido, pois não conta com a sinceridade, fator indispensável nesta equação. Mas isso basta para que o perdão seja concedido? No mundo espiritual é certo que sim, pois só no metafísico podemos, paradoxalmente, julgar a realidade "orgânica" do arrependimento. A lei dos homens porém é dura  e nenhum pecado pode ser tratado sem a correspondente e real punição. Os erros não são escritos a lápis e não contam com a ajuda da borracha. Os borrões ficam e enfeiam as páginas dos cadernos de nossa história. Dormir não foi tarefa fácil para muitos brasileiros na noite de ontem. E eu não vou distribuir chá de Camomila ou de Maracujá a seu ninguém. Cada um que engula seu arrependimento e reavalie suas posições. Resta a muitos o consolo do esquecimento que só o juiz tempo pode conceder.   

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Ter ou Ser.

Lampedusa já denunciou que os homens que ditam os rumos do mundo cedem um pouco para poderem se manter no poder. Mas mudam. A história nos conta que o poder do trabalhador, do homem comum, sempre cresceu após as pandemias dos séculos passados. A diminuição do excedente de mão de obra obrigou, pela lei do mercado, o dono do capital produtivo a se render ao capital trabalho. O novo Corona não provocará a mortalidade de 1/3 da população como outros vírus fizeram em outras oportunidades, mas a perspectiva real do aparecimento de um próximo e até possivelmente mais letal vírus, impõe que a lógica econômica da globalização, e sua consequente perda do poder dos Estados de promover ações contra os desastres, bem como a acumulação de riqueza nas mãos de tão poucos, o que diminui ainda mais as defesas contra aquelas mesmas crises, impõe que a lógica neoliberal seja questionada em sua própria razão de ser, que é a multiplicação do capital não produtivo. Por isso, e só por isso, acredito em mudanças. Esse modelo neoliberal não é mais capaz de produzir riqueza, e riqueza é Ter. Não acredito que este seja um Comunavirus, delírio até bem argumentado( eu li o artigo por inteiro) por um dos paranoicos de plantão, e nem que o homem enfim se rendará ao valor do SER. As mudanças virão pelas imposições econômicas e não ideológicas. Isso não impede que cada um de nós se descubra um novo ser. O primeiro passo pode ser o alargamento do nosso pensamento. Fortalecer nossas razões ao assimilar os motivos dos outros. Será vencedor quem sair diferente dessa grave crise.  

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Pedros, Álvaros e Cabrais.

Pense num desprestigiado esse tal de Cabral! Se não fosse pelo Pedro, nome mais que forte, pedra fundamental da Igreja Cristã e de tantas outras edificações, nem eu teria lembrado daquele Álvaro, personagem histórica renegada por milhões de brasileiros e portugueses. Mas ele foi Pedro e como alicerce deve ser resgatado. Poucos teriam a coragem que ele teve de se desviar da rota habitual para as Índias e se deixar  levar pelo vento do leste buscando um desconhecido Novo Oeste. E ele chegou aqui, e se deslumbrou com a exuberância da floresta e com a sexualidade nada reprimida dos seus belos habitantes a quem chamou índios, numa desfaçatez digna de muito político que ainda desfila por aí, trocando bugigangas por voto. Não conheço o regimento da corte imperial portuguesa da época, mas imagino que Cabral tenha sido condenado ao ostracismo após ser acusado de crime contra o decoro da verdade. Ou pode ter sido usado como bode expiatório de um conluio para burlar a Espanha de suas recentes descobertas. O fato é que estamos aqui, em pleno 22 de Abril, e não ouvi falar daquele Pedro e isso me deixa intrigado, para não dizer triste. Um nome tão forte, que teria dado ao filho homem que não tive, ser esquecido, banido da nossa história como simples coadjuvante de um novela que ninguém assiste. Quantas outras pedras mais virarão restolhos, britas a tapar buracos, esconder verdades por detrás do muro da história mal contada?