quarta-feira, 16 de julho de 2025

Procura

O amigo que procuro 
Não tem medo do escuro
Descobre no instinto 
O que não deveria ser
Mas acaba  sendo o 
A gente não sabe se quer. 

terça-feira, 15 de julho de 2025

Amargo

Perde-se a magia do dia
Numa frase mal escolhida,
Na realidade não escondida,
No que deveria ter sido
E ninguém sabe porque 
Não foi. 

O improvável que renegamos
É o mesmo que nos envolve 
E domina. 
Fato mais que concreto. 
Destino provável 
De um coração 
Decididamente
Amargo.



segunda-feira, 14 de julho de 2025

Sofrência

... Melhor sofrimento 
É o fingido.
O que dura um 
Simples porre,
E acorda esquecido.
Fossa é coisa para se
Cultivar por puro querer.

A revolta não dura muito.
Olhar para um futuro
Que ficou bem para trás.
Abandonado ao esquecimento.
Hoje nunca é tarde demais.

O amanhã sempre nos 
Espera com um calor 
Novo e sem sentido. 
Uma lágrima fria,
Carente se emoção.
Um suspiro calado,
Mão que não esquece 
O toque da outra mão. 

sexta-feira, 27 de junho de 2025

Carinho

O carinho chega devagar. Ave que plana serena, sem pressa, sobre o ninho. Para que essa brisa se podemos simplesmente acreditar? Cheiro que insulta os mais doces sentidos. Sábios lamberes que sabem insultar. Membros que se perdem no que há de melhor do encontro. Solidão no desejo de infindo prazer. 

sorte

... Talvez seja preciso
Acreditar na sorte.
Jogar a moeda para cima 
E entender que cada cara 
Se entende bem com a coroa.
Os pares se encontram
Com os impares e as 
Equações se enquadram
No que há de melhor 
No infinito improvável.

Sorte é contar com o 
Imperfeito. 
Saber que é bom 
De qualquer jeito.
Entender o ridículo 
De se entender perfeito. 
Fugir da certeza e
procurar estar no 
Incessantemente perto. 




terça-feira, 10 de junho de 2025

Calos

... Quem falou 

que seria fácil?

Abrir portas de 

ferrolhos enferrujados.

Romper frestas

que escondem 

curiosidades. 

Bater, 

malhar em ferro frio,

criar calos,

quebrar ossos,

cegos para o longe, 

esquecidos do destino.  

Naturalmente

... Não há arco-íris

que explique as 

cores do mundo. 

Ventos e nuvens 

passeiam pelos céus, 

sem medo de tempestade. 

Há grãos suficientes para

aquiescer qualquer 

pretensão de grande rocha. 

A natureza do fogo é queimar, 

mas encanta. 

O sonho nasce na segurança

do sono, mas perturba. 

A paz não habita a

pena de uma pomba.

Da guerra é a última sombra.