Perder o pai é quase como nascer de novo. O mundo parece que fica diferente e a gente ganha um protagonismo que não temos a certeza de saber exercer direito. Mas a vida é feita para todos e o caminho não é direto nem torto, apenas único.
Quando ele morreu fui escalado de filho a pai. A responsabilidade não pesou sobre os ombros, apenas me senti diferente, em outro nível, nem melhor nem pior. Perda sentida e singular, que não deixou dor, mas uma profunda saudade com o recheio do amor.
A paternidade não pode, nem deve exigir, mas ser exercida com leveza, simplicidade, um monte de carinho, um pouco de paciência e muita satisfação e orgulho pelo que ajudou a construir.
Digo ajudou, porque penso ser quase uma obrigação deixar grande dose de autonomia aos filhos que pomos no mundo. Um pai dito perfeito não dá espaço para a expansão plena da nova personalidade que se desenvolve desde o nascimento até o momento de deixar o ninho.
O segredo é não querer, nem procurar, a gratidão dos filhos. Essa deve se mostrar de forma subliminar na maneira natural como se organiza o desmame que nunca é um adeus, mas uma contínua e insistente espera pelo próximo e imperdível abraço.
Nenhum comentário:
Postar um comentário