O calor
de teus dedos
no aconchego
das primeiras horas,
me desperta para
o que há de vida
na criança que
não mais chora.
Um texto não lido é como um amor não correspondido. Neste espaço quero compartilhar um pouco de meus escritos, dar e pedir sugestões de leituras,filmes, músicas e ...
O calor
de teus dedos
no aconchego
das primeiras horas,
me desperta para
o que há de vida
na criança que
não mais chora.
Domingo é um dia Fantástico.
Praia, almoço, soneca.
Cinema com as crianças.
Dormir cedo depois do sexo.
Segunda-feira
Acorda a mulher com um beijo no
cangote. Sente o cheiro do amor impregnado nos lençóis. As bocas se encontram
num beijo apaixonado. O corpo se assanha, mas é hora de trabalhar.
Terça-feira
Acorda com o despertador. Dá um
beijo no rosto da mulher. Sente uma vontade danada de urinar e corre para o
vaso. Dá uma encostada na bunda dela e sussurra um “até mais tarde” cheio de
segundas intenções.
Quarta-feira.
Acorda a força. Passeia a mão pela anca saliente e diz que está morto de fome. Espera pelo pão quentinho que mandou a empregada comprar. Antes
de sair bate na porta do banheiro e avisa: “Tchau amor”.
Quinta-feira
Acorda todo moído. Resmunga para
a esposa que vai trocar o colchão no sábado. Toma um banho morno para relaxar.
Quase dorme fazendo a barba. Não tem fome nem tempo para comer. Antes de passar
a chave grita que esta saindo.
Sexta-feira
Acorda animado e assobiando o
toque de despertar. Toma uma ducha fria cantando “hoje é sexta-feira, traga
mais cerveja...”. Depois de elogiar o café pede para a empregada avisar a
patroa que ele vai chegar tarde.
Sábado
Só levanta na hora do almoço. A
mulher nem olha para ele. Liga a televisão para ver o jornal e adormece. O
telefone o desperta para o jogo com os amigos. Sai de fininho, mas nem
precisava, pois a mulher já saíra há tempos para o cabeleireiro.
Sinto fome.
A fraqueza do corpo
Invade a cabeça
Que rodopia,
Levada pelo Saci,
Para o reino
Sem volta da miséria.
Sinto frio.
O sangue virou pedra,
Tal qual o sentimento.
Os olhos não choram
A dor alheia.
As mãos não se estendem
Para dar o cobertor.
Sinto sede.
Quero tudo
O que não posso ter.
A língua seca
Não sabe beijar.
A pele engelhada
Já não encanta.
Sinto dor.
Os nervos pulsam.
O suor negro
Poreja na pele branca.
Grito sem lembrar
Que o vizinho é surdo
E o amor está longe.
14.01.05
Nua sob lençol branco
Repousa silente,
Cheio de encanto,
O corpo da adolescente.
Arquejando ele assiste,
Com dor e sem pressa,
A verdade contundente
Do quase nada que lhe resta.
Vira-se sem respeito,
Coça o pescoço,
Esfrega o peito numa
Inquietude sem alvoroço.
Magoado pela vergonha
Parte em busca de vingança.
Enquanto a menina sonha,
Ele acredita, tem esperança.
A pele sedosa se cala,
Não se arrepia.
Despreza esse amor
De tão pouca valia.
Respira fundo
Acalmando o peito
Enquanto mãos trêmulas
Passeiam pelo corpo, sem
jeito
O sorriso da inocente.
Só aumenta seu horror.
A folia de um mundo
inconsciente
Alimenta sua alma de dor
Quer fugir,
Mas o orgulho lhe prende.
Quer amar,
Mas o desejo não vem
Quer morrer,
Mas o coração não para.
Quer matar,
Mas sua mão é covarde
Quer compreender,
Mas a menina esta muda.
Quer esclarecer,
Mas a criatura não ouve.
23.09.05
Inspirado em
“Memórias de Minhas Putas
Tristes” de GGM.
amar,
verbo impossível
para quem
tem olho cinza.
amar,
verbo impossível
para quem
tem riso seco.
amar,
verbo impossível
para quem
tem perna dura.
amar,
verbo impossível
para quem
tem mão macia.
amar,
verbo impossível
para quem
tem ouvido inquieto.
amar,
verbo impossível
para quem
tem boca gulosa.
amar,
verbo impossível
para quem
tem coração mudo.
2005