Ligaram me exigindo assinatura e carimbo numa planilha de produção
do Issec. Se fosse pouca coisa jamais me aventuraria a ir ao centro da cidade
numa manhã de segunda-feira. Felizmente a enfermaria e o ambulatório foram
calmos e pude sair do hospital às nove e trinta; teria tempo de sobra até o almoço
programado para a roceira (segundo meu sogro Hermênio) hora das onze e meia. O
trânsito estava mais calmo que o esperado, mas mesmo assim cheguei ao
estacionamento vizinho ao Issec, segundo me revela o recibo, às dez e treze.
Dez minutos depois tinha resolvido tudo, ou seja, carimbado e assinado um
relatório de produção gerado online pelo próprio contratador, mas que sem minha
conivente assinatura de nada valia. Lembrei que há muito precisava de uma
mangueira de gás de cozinha nova para o Aquaville, que vinha
anunciando com um forte cheiro a necessidade de trocada. Por sorte bem em frente
ao estacionamento vi uma loja de ferragens. Um dos três atendentes que conversavam
sonolentamente debruçados sobre o balcão me desejou um bom dia. Portanto fui
mais do delicado e prontamente atendido e informado que diante do produto em
falta deveria me dirigir à Praça da Polícia. Olhei para o relógio e decidi que
tinha muito tempo, passava um pouco das dez e meia. As ruas não estavam muito
cheias, algumas lojas de portas fechadas. A que primeiro me chamou a atenção
foi a das Edições Paulinas. Percebi também que muitas locações mudaram de
inquilinos. Na antiga esquina do Hotel Savanah hoje as Casas Bahia vendem
eletrodomésticos. Na esquina do São Luiz a Casa dos relojoeiros montou uma
filial e a Riachuelo tomou o lugar da minha saudosa Lobrás. A Praça do Ferreira
estava muito calma e no meio dela, com todo o espaço do mundo, sob um sol quase
a pino (foi aí que lembrei que esquecera o protetor), um solitário e desafinado
cantor brindava os passantes com versos randomicamente misturados, segundo sua
desatinada percepção, do Rei Roberto Carlos. Cercando o histórico relógio três
jovens batiam fotos para ilustrar sua viagem pela turisticamente procurada capital
alencarina. Cruzei a Praça e entrei num território por mim pouco conhecido. Um
verdadeiro Shopping plano se estende por todo o espaço entre a Rua Floriano
Peixoto e a Praça da Polícia. Tudo porém muito calmo, não percebi nenhuma
tensão nos passantes, sequer vi policiais, no máximo alguns agentes da AMC que
me pareceram estar promovendo alguma campanha cidadã. Na Rua Perboyre e Silva
encontrarei as lojas de artigos para fogão. Escolhi uma que me parecia menos
careira, embora não consiga dizer aqui os critérios usei para fazê-lo.
Conversando com o que me pareceu o dono da loja percebi que não tinha a menor
ideia do que eu realmente precisava, mas como uma próxima oportunidade para
voltar ali era no mínimo longínqua, resolvi adquirir uma mangueira de aço (
sugestão dele) e uma válvula nova. O abatimento foi sugerido por ele e não
pechinchei, paguei o que me foi pedido e me pus de volta, agora com um saco na
mão, tentando percorrer ruas diferentes. Entretanto não consegui resistir a
novamente passar pela Praça do Ferreira para desta vez atravessar o beco do
pecado e curtir a doce frescura de seu vento. Atravessei a Barão do Rio Branco fora
da faixa de pedestres só para entrar no Palácio das Canetas, que infelizmente
não tinha que o que queria. Achava que no lugar do Cine Diogo agora funcionasse
a Casa do Cidadão, mas não consigo me lembrar do que vi sob a sua tão mudada
fachada. Entrei na Guilherme Rocha com seu conhecido comércio ambulante e virei
na Senador Pompeu. Passei na frente das Lojas Americanas que tantas vezes
atravessei, mas nenhuma saudade me visitou. Paguei os quatro Reais no
estacionamento e dei por finda minha visita ao querido, quente e mudado Centro
de Fortaleza, com uma vontade de voltar outras vezes e tentar retomar aquela
intimidade dos meus tempos de garoto.
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