terça-feira, 8 de janeiro de 2013



Tio Bebeto sempre me concedia sua benção antes de eu próprio pedi-la ou de lhe dizer qualquer coisa. Nunca considerei como uma crítica, pois seu largo sorriso sempre vinha depois, mas como sua maneira peculiar (nenhum tio jamais fez o mesmo) de desejar minha felicidade. Sei que não o fazia somente para mim, mas para todos os filhos, sobrinhos e netos. Era verdadeiramente um homem de família. Soube cultivar a harmonia entre os irmãos como nenhum outro e era único na sua prática de visitar regularmente a todos. Nossas conversas eram quase sempre longas e divertidas, muitas delas repetidas, assim como as de seu irmão quase gêmeo que tive a sorte de ter como pai, mas sempre me enchia a alma com a doce experiência de seu amor compartilhado. Seu riso farto e sua receptividade às minhas irreverências mostrava bem o homem que respeita e se orgulha de sua família, principalmente dos filhos que nunca cansou de elogiar. Dizia que já morrera várias vezes e voltara sem ter história para contar do mundo de lá. Ontem não voltou, mas sua história está perpetuamente gravada com letras carinhosas em minha alma, pois poucos são capazes de escrever tão bem com a gramática do amor. 

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