Quando alguém descobre da minha inveterada apreciação da loura gelada, é quase automático a admiração por minha tão inócua barriga. Como se uma coisa levasse a outra; como se ser tricolor me forçasse a secar os alvinegros. O certo é que apesar dos elogios por me manter sempre em forma, não nutro uma relação de paz plena com minha adiposidade abdominal. O desejo de subtraí-la com um puxão peremptório e efetivo só perde para a eloquência inebriante de um copo borbulhante, encimado por branca espuma. Botar a culpa na bichinha é de uma covardia indefensável e que não ouso fazer. Mais fácil culpar a colher a mais de farofa de linguiça, o indispensável caldo de feijão, o tijolinho duplo de chocolate na sobremesa que fugir da irrealidade do torpor da cerva. Afinal barriga tanquinho é para quem não tem torneira que preste.
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